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quarta-feira, 13 de março de 2013

Saiu na Folha. com


Sai na Folha. com , tudo bem que já tem um tempinho, mas para quem como ainda não tinha lido é totalmente atual. Foi minha filha Lívia que me enviou pelo Facebook.

Artista conquista Nova York com obras de crochê
IVAN FINOTTI
DE NOVA YORK

Na esquina da 10ª avenida com a rua 20, no lado oeste de Nova York, em meio à sujeira, a mendigos, a estacionamentos de automóveis e a vendedores de cachorros-quentes duvidosos, destaca-se um carrinho de supermercado acorrentado a um poste. Nem chamaria a atenção, não estivesse ele cuidadosamente coberto por crochê rosa, azul, roxo, branco e preto.

É uma das obras de arte de Olek, polonesa de 33 anos obcecada por tecer tramas e cobrir tudo com elas. A artista se notabilizou em 2010, quando uma galeria nova-iorquina transferiu integralmente seu apartamento de 60 metros quadrados para uma exposição de arte.

                                       Gilberto Tadday/
A artista polonesa Olek, que conquistou o mundo das artes em Nova York com sua obsessão por crochê
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Cadeiras, televisores, garfos, secadores e até privadas, tudo coberto de linhas coloridas. Nas paredes, também em crochê, mensagens de seus ex-namorados e até um cobertor reproduzindo o resultado do teste de doenças sexualmente transmissíveis de um deles. O sucesso levou o Smithsonian, o maior complexo de museus do mundo, em Washington, a agendar a remontagem dessa exposição para julho de 2012.

No ano passado, Olek inaugurou outra exposição em Nova York, basicamente em crochê preto e branco, chamada "The Bad Artists Imitate, the Great Artists Steal" (em tradução livre, "maus artistas imitam, grandes artistas roubam"). A frase, originalmente de Picasso, foi recentemente apropriada com ligeiras diferenças pelo grafiteiro Banksy. Olek rouba de volta, riscando com crochê vermelho os nomes dos dois acima e assinando ela mesma a autoria da frase -e uma série de outras.

A mostra traz também objetos cotidianos, como luvas de boxe, pau de amassar macarrão e uma bicicleta ergométrica. "Não consigo resistir, tenho que transformar tudo", conta ela, com seus óculos envolvidos por crochê vermelho e sua camiseta de crochê preto e branco em seu sofá de crochê rosa. Tudo isso está espalhado pela sala do nono andar do prédio da rua 20, novo polo de artes da cidade.

A exposição que vai para Washington é chamada "Knitting Is for Pussies" (algo como "tricotar é para amadores") e faz piada com as diferenças entre crochê e tricô.

Coisas simples: tricô é feito com duas longas agulhas de pontas lisas, linhas grossas e funciona basicamente para gerar vestimentas de frio, como cachecóis, cobertores ou sapatinhos de bebê.

Já o crochê, tão amado por Olek, é utilizado para compor toalhinhas de enfeite para a mesa da sala, bicos de panos de prato ou colchas decorativas. E o instrumento usado é apenas uma longa agulha com um gancho na ponta.

CINEMATOGRÁFICA

A obsessão de Olek pelo crochê remonta à Polônia, onde ela era uma adolescente revoltada que, aos 17 anos, resolveu ser crítica de cinema. Num dia qualquer, a raiva aumentou e ela raspou a cabeça. O momento de fúria aconteceu no inverno do Leste Europeu, frio quase polar, e obrigou a pequena Agata Oleksiak a manufaturar um chapeuzinho de crochê para não congelar a cuca.

"Ensinavam a costurar na escola, mas aprendi a fazer crochê sozinha", lembra. Agata gostou da experiência e passou a envolver qualquer coisa que via pela frente em Ruda Slaska, pequena cidade na região da Silésia. Quando os hábitos estranhos incluíram costurar papéis de chocolate jogados fora, sua professora de inglês, uma nova-iorquina, declarou "a Polônia não está pronta para você".

É claro que Agata Oleksiak levou a dica a sério e, assim, em 2000, cruzou o mundo e abreviou seu sobrenome. Atualmente, tem gostado de cobrir seus amigos de tramas dos pés à cabeça, como se fossem o Homem-Aranha, e de convidá-los a dar uma volta de metrô por Nova York. É uma instalação em movimento.

A chave para entender sua obra, ela acredita, está nos filmes. Seu trabalho de conclusão na escola de cinema polonesa se chamou "O Simbolismo dos Figurinos no Cinema de Peter Greenaway". Escrito em polonês, claro.

E é num dos filmes mais famosos do inglês, "O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante" (1989), que tem seus episódios claramente definidos por cores, que Olek mais se inspira até hoje. Ela ainda ama simplesmente ver filmes e faz isso o tempo todo. Mas envolver um apartamento inteiro com tramas deve dar muito trabalho, não? "É por isso que amo o crochê. Dá para fazer enquanto assisto a um filminho ou dois."


Um comentário:

carol guezdan disse...

Que legal Gladys o crochê virando arte urbana!!.
Beijinhos